Perdigão + Sadia= “Pororoca Cultural” à vista

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Sardigão ou Perdiguia, eis a questão! Comprar ou fundir empresas é fácil. Difícil é tornar produtiva a inevitável pororoca cultural.

A análise das causas do insucesso de várias transações de fusões e aquisições empresariais têm deixado claro que comprar uma empresa é a parte mais fácil da operação: o sucesso das fusões tem esbarrado no desafio de liderar culturas empresariais completamente diferentes. A compra em si, a nova estrutura jurídico-societária e o novo organograma são relativamente fáceis de montar. A parte mais complexa começa na manhã seguinte, quando pessoas oriundas de culturas bastante diferentes têm de conviver sob o mesmo teto.

A principal determinante da frustração de operações que pareciam bem boladas não é encontrada na falta de mercado, nem de capital e muito menos de tecnologia – reside na “pororoca cultural” imagem que bem ilustra esse choque de pessoas obrigadas a uma forma de comando diferente daquela a que estavam habituadas.

Infelizmente a construção de uma nova cultura empresarial tem sido uma fonte mais de conflito que de sinergia entre as empresas. O curioso é que essa “pororoca” se faz ouvir a quilômetros de distância mesmo quando as empresas que se fundem atuam no mesmo ramo de negócio – e não apenas quando são de segmentos diferentes ou complementares.

Contam-se nos dedos os casos de sucesso, que funcionam como as exceções que justificam a regra. Para não ser indelicado com as empresas brasileiras que se fundiram recentemente e que lutam para tornar viável o sonho compartilhado antes da fusão – algumas delas tiveram seu valor de mercado destruído e acabaram perdendo mercado, talentos ou caixa – lembremos do já clássico exemplo da Hewlett Packard com a Compaq, que custou a cabeça da outrora bem sucedida megaexecutiva, a Carly Fiorino.

No anunciado caso da fusão da Perdigão com a Sadia, o que você acha que vai acontecer? Será a regra ou a exceção? A copresidência do Conselho de Administração vai funcionar? Será que os 2 presidentes têm o mesmo nível de afinidade que Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles (fusão Itaú e Unibanco) cujos laços familiares foram sedimentados pelos respectivos patriarcas durante décadas? Como a Previ, sócio majoritário, vai conviver com essa divisão de bola? E esse período de transição de uma ano será salutar para a futura fusão ou vai inviabiliza-la? Como será o comportamento da Sadia que há pouco tempo tentava comprar a Perdigão e agora com o peso do endividamento de R$ 8 bi está tendo que aceitar essa negociação salvadora com o concorrente? Afinal como será esse novo gigante de 100 mil funcionários e que promete faturar mais de U$ 10 bilhões? Está nascendo a Sadigão ou a Perdiguia?

 

Escrito por: César Souza, dia 14 de Maio de 2009

~ por bloglideranca em Junho 2, 2009.

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